Bom, eu, como sou nova ainda, não tenho um emprego formal. E como eu não sei sobreviver apenas com mesada do papai, tive que correr atrás de algum bico pra fazer, pra ganhar uma graninha a mais, né não?
Lá vou eu. Pensei, pensei e pensei mais ainda pra tentar achar algum trampinho. Até que veio uma idéia brilhante na minha cabeça (PLIM!). Trabalhar em festinhas infantis! Claro, por que não? Moleza pra mim. Ficar algumas horinhas tomando conta de uma meia duzia de pirralinhos, chingando e puxando orelha. E ainda por cima, eu conheço algumas pessoas que trabalham de vez em quando com isso.
Procurei saber alguma casa de festas e mandei meu curriculo. Beleza, era só esperar eles me ligarem pra marcar algum dia pra eu ir lá e já trabalhar.
Passaram alguns dias e lá estava a mulher no telefone, me chamando pra festinha que iria ter na próxima sexta feira. Eu aceitei e fui lá.
Cheguei no lugar, me identifiquei para a moça e ela me entregou uma chavinha e uma roupa. A roupa, ridícula por sinal, era para eu vestir, claro. E a chave era pra eu abrir um escaninho onde eu guardaria as minhas coisas. Coloquei a roupa, e lá estava eu, vestida com uma blusa colorida, um macacão jeans pega frango e uma viseira. Pensei: “Poxa, que roupinha horrorosa.” Além de feia, a roupa era tamanho único. Sim! Tamanho único! Ú-N-I-C-O! Imagina se uma menina obesa quiser trabalhar lá? Eles falarão: “Não, você não pode trabalhar aqui! Você é grande demais e não entra dentro do uniforme. Tchau.” Pâtz, né!
Tá, voltando ao assunto. Olhei pro lado, e aquele bando de monitores, assim como eu, vestidos com aquele uniforme. Eram uns 15 ou 20, mais ou menos.
Demos uma ajeitada no lugar da festa, e depois a coordenadora estipulou o brinquedo em que cada monitor ficaria (Lá é como uma casa de festas infantis como outra qualquer: Cheio dos brinquedos, como piscina de bolinhas, escorregadores, fliperama, e aqueles brinquedinhos que ficam girando e tocando uma música irritantemente repetitiva.) E eu, como sempre, tive que ficar no brinquedo em que mais lotava sempre, a piscina de bolinhas. Pensei: “Tudo bem, não deve ser tão ruim assim, né?”
A aniversariante e seus pais estavam chegando, ai a coordenadora gritou alguma coisa, e todos nós monitores ficamos na entrada do local, batendo palmas, enquanto uma musiquinha tocava. A letra da música era mais ou menos assim: “Vem pra festa do [nome da empresa]! O lugar de diversão de toda a galera teen … bla bla bla” A aniversariante entrou e logo chegaram os convidados.
No começo era tranquilo. Poucas criancinhas, comportadinhas, coisa e tal. Mãããããããããs, mais convidados chegavam. E cada vez mais os mulequinhos queriam ir na piscina de bolinhas. E cada vez mais o brinquedo ficava lotado.

Esta não é a festa em que eu trabalhei. É só uma festa qualquer.
Foi um sufoco danado, porque eu nunca me dei muito bem com crianças. Hoje, estava pensando nisso. Me perguntei várias vezes porque eu fui escolher logo esse trabalho. Eu poderia ter mandado meu curriculo pra algum político, e eu poderia ficar muito melhor entregando santinhos no sinal, ou poderia ter mandado pra alguma loja de material de construção, aposto que ser entregadora de tijolos é mais agradável do que tomar conta de mil pentelhos ao mesmo tempo, dentro de uma piscina de bolinhas.
Se você estiver precisando de alguém que trabalhe pra você (Menos prostituição ou babá, ok?), me liga, tá? Tô necessitada!